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VII ENCONTRO DE LUTA CONTRA A AIDS É MARCADO POR PROJETOS SOBRE O FUTURO DOS JOVENS PORTADORES DO VÍRUS

07/12/2004 – 20h15

O VII Encontro de Luta Contra a Aids – Crianças e Adolescentes HIV positivo por uma Qualidade de Vida Melhor, organizado pela ONG Projeto Reviver que aconteceu nessa tarde no Auditório Universidade São Judas, em São Paulo, teve como fato relevante projetos sobre o futuro das crianças e dos jovens soropositivos. Maior atenção às gestantes e um planejamento familiar também foram itens citados por psicólogos.

“Pensava-se que crianças infectadas pela mãe (por transmissão vertical) não passariam dos 6 anos de idade. Muitas delas estão com 19 e muito saudáveis”, explicou a psicóloga voluntária Daniela Cristina de Almeida, uma das profissionais que falou nessa tarde. Ainda segundo Almeida, é necessário pensar no futuro do jovem, porque a expectativa de vida “está cada vez maior”. Só para se ter uma idéia, em 1995 haviam 14.966 pessoas hospitalizadas com Aids em São Paulo. No ano de 2002 esse número caiu para 9.190, segundo dados apresentados no Encontro.

Um dos projetos para o ano de 2005 é montar um grupo de apoio com as mães soropositivas e a família do portador do vírus. O trabalho é para conscientizar o grupo familiar e criar uma base de apoio pensando no futuro do jovem portador do vírus. “A maioria deles está nas casas de apoio desde quando nasceram, não estão preparados para a vida adulta”, explicou a psicóloga.

Durante a mesa “Uma Experiência de Atendimento Integral”, o tema debatido foi formas de fazer com que a criança e o jovem consigam ter uma melhor qualidade de vida, mesmo vivendo sob os efeitos colaterais causados pelo coquetel anti-Aids.

Cinco profissionais que trabalham no Projeto Reviver apresentaram formas de viver bem tomando medicamentos anti-retrovirais. Entre elas, a dentista Carla Ghetti explicou que a escovação dos dentes é fundamental principalmente para os portadores do vírus. “O coquetel tem muita glicose e diminui o fluxo salivar. Isso faz com que o açúcar fique mais aderido nos dentes causando mais cáries e gengivites, necessitando de uma higiene bucal mais atenciosa, evitando também herpes e aftas.”

Já a fonoaudióloga Elza Engel Ayer disse que um dos maiores problemas é a intoxicação que o remédio pode causar. “Algumas crianças sofrem perdas auditivas e não conseguem passar uma semana sem ficar com o nariz desobstruído. Isso atrapalha seu rendimento escolar, porque não conseguem falar e nem escrever direito. É nesse ponto em que trabalhamos”.

Trabalho Voluntário

Recém formada em psicologia, Mônica Leite começou a trabalhar como voluntária no Projeto Reviver no começo de fevereiro de 2004. Segundo ela o trabalho é muito recompensador. “Aqui eu não só invisto meu tempo, como também aprendo muito como profissional”.A partir dos contatos que fez na ONG, já arrumou um outro trabalho.

A maioria dos profissionais que trabalham na ONG Projeto Reviver são voluntários. Eles têm o intuito de dar apoio à crianças HIV Positivo, em forma de sustentação, abrigo, qualidade de vida e seu adequado desenvolvimento.

Emiliano Capozoli Biancarelli

 

DICA PARA ENTREVISTA:

Ambulatório Reviver
telefone: (0XX11) 6692-3165
e-mail: ambulatorioreviver@terra.com.br

 

:: ARTIGO ::

O RECOMEÇAR DA VIDA COM AIDS, UMA VISÃO FEMININA SOBRE A EPIDEMIA


Silvinha Almeida

Há dez anos, me descobri soropositiva, dentro de um casamento estável de 12 anos, dois filhos e uma vida calma e tranqüila. Esta seria sem dúvida a notícia que eu jamais imaginava receber.

Um "teste positivo de HIV, feito por meu marido que se encontrava com alguns problemas de saúde, caiu como uma bomba em nossa casa". Orientada a fazer o exame, outra bomba, eu também estava com o vírus. Dois anos depois, meu marido veio a falecer em decorrência de uma tuberculose,ainda não havia o coquetel anti-hiv, e sua saúde já estava bastante comprometida.

Viúva e com duas crianças para cuidar, fui em busca de ajuda. Minha necessidade de viver e cuidar dos meus filhos foi a grande força que me impulsionou a continuar a viver.

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